O futuro da IA

O futuro da IA

A OpenAI conta com mais de 300 milhões de usuários. No entanto, os governos ainda debatem muito pouco sobre como a inteligência artificial afetará a população — algo que surpreende grandes personalidades, como Bill Gates. Henry Kissinger, em seu livro The Age of AI, argumenta que o modelo de Estado-nação como o conhecemos hoje está em risco. De fato, a internet e a globalização reduziram drasticamente fronteiras que vinham sendo encurtadas desde os tempos da Rota da Seda e das grandes navegações. Kissinger sustenta ainda que a IA é a maior revolução que a humanidade já presenciou desde a invenção da imprensa de Gutenberg.

Escolas e universidades, tal como as conhecemos hoje, também tendem a desaparecer. O modelo de educação para garotos da elite existe desde a Antiguidade Clássica, mas o modelo de educação básica, com escolas públicas e universais, surgiu na Prússia, no século XVIII, justamente com o advento do Estado-nação unificado, com o objetivo de formar cidadãos obedientes e disciplinados. As universidades mais antigas, que datam dos séculos X e XI, nos atuais Marrocos, Itália e Reino Unido, possuíam um currículo homogêneo e linear, destinado à formação de profissionais em áreas como teologia, artes, medicina e engenharia. São cursos que passaram por mudanças pontuais ao longo do tempo, evoluindo de guildas de ofício para instituições que oferecem diplomas de graduação, mestrado e doutorado.

O século XXI verá a primeira grande revolução na educação. O ensino será personalizado por IA; não existirão mais séries escolares nem ensino uniformizado. O aprendizado será contínuo, deixando de se encerrar aos 22 anos. Certificados de educação continuada, como os do Coursera e do Google, substituirão os diplomas atuais. A escola com aulas expositivas será substituída por clubes, onde ocorrerão a socialização e o aprendizado de soft skills, como debates, negociação, persuasão e regulação emocional, bem como atividades físicas — esportes, artes e lazer. O ensino de hard skills, como matemática, química e programação, será conduzido de forma personalizada por IA, em ambiente híbrido: uma parte em casa, voltada à teoria, e outra parte nos laboratórios dos clubes, com atividades práticas. Yuval Noah Harari afirma que a sociedade passará a valorizar mais a capacidade de aprender, pensar criticamente e de maneira criativa do que a capacidade de decorar e recitar conteúdos.

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